Meu primeiro contato com a fotografia foi feito de acasos e encantos: uma Yashica dos meus pais, mãos pequenas demais pra segurá-la direito, e horas mergulhado naqueles mini monóculos de negativos, como quem espiava mundos secretos. Era só brincadeira, mas ali, sem saber, eu já começava a enxergar diferente.
A vida me levou por outras esquinas, e por um tempo a câmera ficou em silêncio. Mas o olhar, esse nunca dormiu. Foi o skate que reativou minha conexão com a imagem, colecionava revistas como quem coleciona fragmentos de histórias. Depois vieram os sneakers, e mais uma vez, o que me prendia não era só o objeto, mas a forma como a rua se fazia presente em cada clique editorial, como uma personagem sempre viva.
Decidi atravessar o espelho, deixei de apenas observar e fui atrás de aprender. Estudei no Senac da Lapa, comprei minha primeira Canon T3i, e desde então, nunca mais saí da rua, nem a rua de mim. A fotografia de rua não foi uma escolha, foi uma revelação. É nela que encontro sentido, caos, silêncio, beleza, fúria e poesia.
Hoje, cada passo é um enquadramento possível. Cada esquina, um verso. Sigo vivendo a cidade com a câmera no peito e o olhar em estado de alerta, tentando, em cada imagem, capturar não só o que vejo, mas o que vibra entre as linhas do invisível.
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